Lawrence Durrell
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
Como é que sabe que é uma peça Sung?
“Como é que sabe que é uma peça Sung?” Ele voltou a sorrir. “As proporções – não há outra marca distintiva. Foi por isso que o antiquário falhou. É como o cego, que só se fia no toque familiar dos objectos. Aqui, se fôssemos só pelo tacto, não podíamos conhecer. Tente olhar lá para dentro e sentir as proporções, sentir a maneira como foi moldada, como um ovo de pássaro.” Daí a pouco comecei a ver vagamente o que ele via; era bastante como um teorema em geometria. Compreendi então que o que ele admirava era o modo como o pequeno objecto absorvia o espaço – não era a habilidosa manipulação da matéria, a simples beleza da função. Podia assim, do nosso ponto de vista, dar-se pouco significado a esta pequena recordação, enquanto que do dele era a requintada armadilha destinada a valorizar o espaço ambiente em volta dela. Era a estética chinesa e a capacidade negativa!”
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Tens-me em tuas mãos
Tens-me em tuas mãos e lês-me como um livro. Sabes o que eu não sei e contas-me as coisas que eu não digo a mim mesmo. Aprendo mais contigo ...
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