domingo, 31 de janeiro de 2021

Não te esqueças que morreste em todos os poemas


Não te esqueças que morreste em todos os poemas
e nunca assinaste o teu nome todo.
Metade de ti ficou no tinteiro
a outra metade foi dar a volta ao Mundo.
A parte de ti que regressou nem tu próprio sabes
há cidades onde se fica para sempre
estações onde os comboios não chegam nunca
corpos onde se entra e depois não se sai.
Há ruas misteriosas sem se saber porquê
encontros inesperados que podem mudar a vida
não te esqueças que amor e morte se conjugam
às vezes chegam de mãos dadas
não te esqueças que um dia é cedo
e de repente já é tarde
no amor no poema na dança inacabada.
Não te perguntes as horas. Os anjos já passaram
e ninguém agradece.
O que foi é um passado quase excessivo
tão grande que talvez outro futuro
aí comece.

Manuel Alegre


Sem comentários:

Enviar um comentário

Tens-me em tuas mãos

Tens-me em tuas mãos e lês-me como um livro. Sabes o que eu não sei e contas-me as coisas que eu não digo a mim mesmo. Aprendo mais contigo ...