sábado, 21 de fevereiro de 2026

O país da chuva e da distância


Todo o esplendor termina, as grandes vozes emudecem,
o verde-mar das pradarias seca,
mas aquilo que mais profundo e íntimo foi
perdurará na memória inapelável,
ali de onde o poema impreciso vigia
esperando que regressem os deuses do desterro.

Pois também a memória tem suas avenidas
de luzes silenciosas e esquinas recolhidas,
sua margem passando pelo fio do sonho.
O esquecimento cansa-se de chamar à sua porta.

O saguão é quem vela enquanto a casa dorme. 
Houve um na infância, a recordação
colocou certa vez ali sua magnólia figo.
E na cancela eu desenhei uma tarde
o país da chuva e da distância.

Raúl González Tuñón




Sem comentários:

Enviar um comentário

Como tú

https://www.youtube.com/watch?v=krXlaBKQIjU Así es mi vida, piedra, como tú. Como tú, piedra pequeña; como tú, piedra ligera; como tú, canto...