domingo, 20 de setembro de 2026

Qué dirá el Santo Padre...?


Miren cómo nos hablan
de libertad
cuando de ella nos privan
en realidad.

Miren cómo pregonan
tranquilidad
cuando nos atormenta
la autoridad.

     ¿Qué dirá el Santo Padre
     que vive en Roma,
     que le están degollando
     a su paloma?


Miren cómo nos
hablan del paraíso
cuando nos llueven balas
como granizo.

Miren el entusiasmo
con la sentencia
sabiendo que mataban
a la inocencia.

El que ofició la muerte
como un verdugo
tranquilo está tomando
su desayuno.

Con esto se pusieron
la soga al cuello,
el quinto mandamiento
no tiene sello.

Mientras más injusticias,
señor fiscal,
más fuerzas tiene mi alma
para cantar.

Lindo segar el trigo
en el sembrao,
regado con tu sangre
Julián Grimau.

(Violeta Parra)






Não sei se te quis mais do que às outras


Não sei se te quis mais do que às outras,
nem se existe uma maneira exata de medir
o que alguém deixa em nós.

Só sei que contigo algo foi diferente.
Não chegaste a completar-me, porque eu já
era um mundo antes do nosso encontro, mas
soubeste habitar os lugares onde antes
não havia ruído.

Foste a peça que não encaixou para
fazer-me inteiro, mas para me revelar que
também sou capaz de me sentir inteiro dentro de mim.

Por isso há pessoas que não se esquecem.
Não porque continuem presentes, mas porque
depois delas não se volta
a ser exatamente o mesmo.

Ronald Tinoco Rios





Poema del regreso


Vengo del fondo oscuro de una noche implacable,
y contemplo los astros con un gesto de asombro.
Al llegar a tu puerta me confieso culpable,
y una paloma blanca se me posa en el hombro.

Mi corazón humilde se detiene en tu puerta,
con la mano extendida como un viejo mendigo;
y tu perro me ladra de alegría en la huerta,
porque, a pesar de todo, sigue siendo mi amigo.

Al fin creció el rosal aquel que no crecía
y ahora ofrece sus rosas tras la verja de hierro:
Yo también he cambiado mucho desde aquel día,
pues no tienen estrellas las noches del destierro.

Quizás tu alma está abierta tras la puerta cerrada;
pero al abrir tu puerta, como se abre a un mendigo,
mírame dulcemente, sin preguntarme nada,
y sabrás que no he vuelto… porque estaba contigo.

Jose Angel Buesa





[...]


When I asked him why he had not called
he explained to me that he had been buried alive
and that he did not have a phone.
In his thin chicken lips
there is
or was not
any daring.
Everything was strictly legal.
Is it because you do not believe in God?
If it wasn’t easy,
you wouldn’t try to do it.
Significance,
signifying,
significantly,
sign.
I went to the balcony
and looked at the park,
irritating brotherhood of screaming children
and calibrated birds.
Heard the remote control changing channels,
no sound.
I felt at my back
his desire to put on his pants
and leave.
I went to the kitchen to peel potatoes.

Miyó Vestrini





terça-feira, 8 de setembro de 2026

[...]


Obrigada. Quero que alguém me dê as malditas graças.

Obrigada pela solidariedade, pelos orgasmos fingidos, pelos ouvidos atentos. Por terem olhado e escutado sem dar sinais de cansaço. Quero que alguém me dê as malditas graças pela minha presença.

Pelas cartas de recomendação e pelas excelentes notas no meu relatório. As malditas graças pela minha paciência e pela minha impaciência.

Pelo meu olhar sobre os pinheiros que ladeiam a pequena estrada para Quercianella. Pela minha memória infalível quando se trata de escutar o vento e o mar.

Obrigada por eu me ter adaptado ao amor, ao álcool, ao rock, à traição, à solidão das duas da manhã, à família estúpida e obtusa, a estar presente quando alguém precisa de mim.

Quero que alguém me dê as malditas graças por ter sustentado um chulo durante dois anos. Por ter tomado conta dos filhos da minha melhor amiga. Por ter sido complacente com um louco sem remédio. E dura com um burocrata perdido.

Miyó Vestrini

Blue


Verei novos rostos
Verei novos dias
Serei esquecido
Terei remembranças
Verei sair o sol quando sai o sol
Verei cair a chuva quando chove
Andarei a esmo
De um lado a outro
Aborrecerei meio mundo
Contando a mesma história
Sentar-me-ei para escrever uma carta
Que não me interessa enviar
Ou para olhar as crianças
Nos parques de diversão.

Sempre chegarei à mesma ponte
Para olhar o mesmo rio
Assistirei a filmes tolos
Abrirei os braços para abraçar o vazio
Beberei vinho se me oferecem vinho
Beberei água se me oferecem água
E enganar-me-ei dizendo:
“Virão novos rostos
Virão novos dias”.

Jorge Teillier





Qué dirá el Santo Padre...?

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