Obrigada. Quero que alguém me dê as malditas graças.
Obrigada pela solidariedade, pelos orgasmos fingidos, pelos ouvidos atentos. Por terem olhado e escutado sem dar sinais de cansaço. Quero que alguém me dê as malditas graças pela minha presença.
Pelas cartas de recomendação e pelas excelentes notas no meu relatório. As malditas graças pela minha paciência e pela minha impaciência.
Pelo meu olhar sobre os pinheiros que ladeiam a pequena estrada para Quercianella. Pela minha memória infalível quando se trata de escutar o vento e o mar.
Obrigada por eu me ter adaptado ao amor, ao álcool, ao rock, à traição, à solidão das duas da manhã, à família estúpida e obtusa, a estar presente quando alguém precisa de mim.
Quero que alguém me dê as malditas graças por ter sustentado um chulo durante dois anos. Por ter tomado conta dos filhos da minha melhor amiga. Por ter sido complacente com um louco sem remédio. E dura com um burocrata perdido.
Miyó Vestrini
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