https://www.youtube.com/watch?v=IhZo29wScUs
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
Bolor
Os versos
que te digam
a pobreza que somos,
o bolor nas paredes
deste quarto deserto,
o orvalho da amargura
na flor
de cada sonho
e o leito desmanchado
o peito aberto
a que chamaste
amor.
Carlos de Oliveira
As coisas deste mundo?
As coisas deste mundo? Prefiro falar
do precipício concreto
de um abraço.
Manuel de Freitas
do precipício concreto
de um abraço.
Manuel de Freitas
sexta-feira, 14 de agosto de 2020
sexta-feira, 31 de julho de 2020
quinta-feira, 30 de julho de 2020
Primeiro encontro
Nunca percebi
o silêncio obstinado das
praias da marginal
pelas noites de inverno,
a indiferença das coisas
em que um dia fomos grandes.
Não exijo agora que te molhes,
- a água está tão fria - ou que me
dês uma das tuas mãos. Gostava,
por uma vez, que este mar
sossegasse connosco dentro.
Rema, temos tempo.
Ainda que seja sempre tarde
para irmos mais longe,
podemos seguir
o balanço que nos separa.
praias da marginal
pelas noites de inverno,
a indiferença das coisas
em que um dia fomos grandes.
Não exijo agora que te molhes,
- a água está tão fria - ou que me
dês uma das tuas mãos. Gostava,
por uma vez, que este mar
sossegasse connosco dentro.
Rema, temos tempo.
Ainda que seja sempre tarde
para irmos mais longe,
podemos seguir
o balanço que nos separa.
Frederico Pedreira
sábado, 25 de julho de 2020
Ao fim
Ao fim são muito poucas as palavras
que nos doem a sério e muito poucasas que conseguem alegrar a alma.
São também muito poucas as pessoas
que tocam nosso coração e menos
ainda as que o tocam muito tempo.
E ao fim são pouquíssimas as coisas
que em nossa vida a sério nos importam:
poder amar alguém, sermos amados
e não morrer depois dos nossos filhos.
Amalia Bautista
(Trad.: Joaquim Manuel Magalhães)
terça-feira, 23 de junho de 2020
domingo, 14 de junho de 2020
Contra a poesia pura
Basta de estrelas e de nuvens
e de pássaros
Falemos antes de gaiolas
que é tempo de conquistar o céu
António Ramos Rosa
e de pássaros
Falemos antes de gaiolas
que é tempo de conquistar o céu
António Ramos Rosa
quinta-feira, 11 de junho de 2020
Uma vez quiseram-me louca, a arder
Uma vez quiseram-me louca, a arder
e eu ardi com a discrição de
um fogo posto
porque a cura vai na mesma direcção
que a nossa febre
Ateei-me como um relâmpago inesperado
à luz do dia
Eu parecia uma basílica em chamas
de altar por estrear, a arder sozinha
Sempre me recusei a arder como os outros
Ardam-se mais à esquerda ou mais à direita
mais a vento de sul ou de norte,
mas labaredem-se, sejam fogos que ardem!
Porque pior que a desdita loucura
é toda a gente andar em brasa
mas ninguém chegar a incêndio
E no fim são todos cinza
Cláudia R. Sampaio
terça-feira, 2 de junho de 2020
Pensei
Pensei
que a liberdade vinha com a idadedepois pensei
que a liberdade vinha com o tempo
depois pensei
que a liberdade vinha com o dinheiro
depois pensei
que a liberdade vinha com o poder
depois percebi
que a liberdade não vem
não é coisa que lhe aconteça
terei sempre de ir eu.
Sónia Balacó
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