https://www.youtube.com/watch?v=nEjoPH2mLjw
domingo, 9 de maio de 2021
quarta-feira, 5 de maio de 2021
Reza da manhã de Maio
Senhor, dai-me a inocência dos animais
para que eu possa beber nesta manhã
a harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
de humanidade
para que eu possa beber nesta manhã
a harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
de humanidade
apagai a vaidade,
para que eu me perca e me dissolva
na perfeição da manhã
e para que o vento me devolva
a parte de mim que vive
à beira dum jardim que só eu tive
Sophia de Mello Breyner
para que eu me perca e me dissolva
na perfeição da manhã
e para que o vento me devolva
a parte de mim que vive
à beira dum jardim que só eu tive
Sophia de Mello Breyner
sexta-feira, 30 de abril de 2021
segunda-feira, 26 de abril de 2021
Auto-retrato
Sou aquela
que transgride
o abismo da paixão
*
ora o corpo
que se entrega
ora a escrita no seu voo
*
Entre o fogo e a razão
*
(inédito)
Maria Teresa Horta
que transgride
o abismo da paixão
*
ora o corpo
que se entrega
ora a escrita no seu voo
*
Entre o fogo e a razão
*
(inédito)
Maria Teresa Horta
sexta-feira, 16 de abril de 2021
Nalgum lugar onde nunca estive
nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, os teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
o teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu me tenha fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando subtilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa
ou se quiseres ver-me fechado, eu e
a minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
me compele com a cor dos seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
E. E. Cummings
de qualquer experiência, os teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto
o teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu me tenha fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando subtilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa
ou se quiseres ver-me fechado, eu e
a minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;
nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
me compele com a cor dos seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira
(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas
E. E. Cummings
terça-feira, 13 de abril de 2021
Olhe
Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras.
Sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calmo e perdoo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.
Também sou muito calmo e perdoo logo.
Não esqueço nunca.
Mas há poucas coisas de que eu me lembre.
Clarice Lispector
terça-feira, 6 de abril de 2021
Pequena cantiga à mulher
Onde uma tem
o cetim
a outra tem
a rudeza
*
Onde uma tem
a cantiga
a outra tem
a firmeza
*
Tomba o cabelo
nos ombros
o suor pela
barriga
*
Onde uma tem
a riqueza
a outra tem
a fadiga
*
Tapa a nudez
com as mãos
procura o pão
na gaveta
*
Onde uma tem
o vestígio
tem a outra
a pele seca
*
Enquanto desliza
o fato
pega a outra na
enxada
*
Enquanto dorme
na cama
a outra arranja-lhe
a casa
*
Maria Teresa Horta
o cetim
a outra tem
a rudeza
*
Onde uma tem
a cantiga
a outra tem
a firmeza
*
Tomba o cabelo
nos ombros
o suor pela
barriga
*
Onde uma tem
a riqueza
a outra tem
a fadiga
*
Tapa a nudez
com as mãos
procura o pão
na gaveta
*
Onde uma tem
o vestígio
tem a outra
a pele seca
*
Enquanto desliza
o fato
pega a outra na
enxada
*
Enquanto dorme
na cama
a outra arranja-lhe
a casa
*
Maria Teresa Horta
domingo, 4 de abril de 2021
Mar
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Hallelujah
https://www.youtube.com/watch?v=AxOsIoejw4E
(...)
Well baby, I've been here beforeI've seen this room and I've walked this floor
I used to live alone before I knew ya
And I've seen your flag on the marble arch
And love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Well, maybe there's a God above
But all I've ever learned from love
Was how to shoot somebody who outdrew ya
And it's not a cry that you hear at night
It's not somebody who has seen the Light
It's a cold and it's a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
(...)
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Carta de amor
💓
https://www.youtube.com/watch?v=xVozMozsR9Y
(...)Se choro, quando choro, e minha lágrima cai
É pra regar o capim que alimenta a vida
Chorando eu refaço as nascentes que você secou
Se desejo, o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio
Vivo de cara pra o vento na chuva, e quero me molhar
O terço de Fátima e o cordão de Gandhi cruzam o meu peito
Sou como a haste fina, que qualquer brisa verga, mas nenhuma espada corta
Não mexe comigo, que eu não ando só
Que eu não ando só, eu não ando só
Não mexe não!
Maria Bethânia
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