quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Annemarie sentou-se à minha mesa. Vi logo o tamanho da sua solidão: tinha o tamanho do mundo. Ela era a criatura mais só do mundo. E a sua história apareceu - simples, tenebrosa - entre as nossas duas cervejas. Todas as histórias pessoais são simples e tenebrosas. Não me comovi. Comovido já eu estava: com as coisas, comigo, com a chuva sobre a cidade. Talvez houvesse uma irónica alegoria em nós dois ali
sentados diante dos belos copos frios, compreendendo ambos tão facilmente o que nos acontecia e iria acontecer que não tínhamos pressa. Poderíamos morrer ali mesmo. Esperávamos.

Herberto Helder


Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto

https://www.youtube.com/watch?v=iUUfDb_NxHg&list=RDX97ktzIjIr4&index=7   Eu que me comovo Por tudo e por nada Deixei-te parada Na be...